Destaques da tecnologia nas Olimpíadas 2021.

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A cada quatro anos, podemos ver o país que é escolhido para sediar os jogos olímpicos, tentar dar o seu melhor e mostrar para o restante do mundo toda a sua história, cultura, infraestrutura e tecnologia. No período em que todos os olhares e câmeras estão voltados para a sua nação e para o seu povo.

No caso em especial do Japão, devido a toda a sua trajetória de reconstrução após a Segunda Guerra Mundial encerrada em 1945, e todos os investimentos e criações tecnológicas feitas desde então e que são referências mundiais. Era de se esperar um espetáculo em grandes proporções e em diversas frentes no setor tecnológico. A Olimpíada 2021, está sendo marcada por tecnologias chamativas, como o desenho de um globo formado por drones na cerimônia de abertura, mas também por inovações nos bastidores que vão do monitoramento à análise de dados.

Veja agora algumas das tecnologias utilizadas nos Jogos Olímpicos de Tóquio:

Cobertura Panorâmica

Todas as modalidades esportivas estão sendo cobertas por câmeras 4K de alta velocidade e um sistema de 360° que permite gerar replays quase que instantâneos. O que proporciona mais qualidade na transmissão e aproxima os telespectadores dos atletas e dos movimentos realizados. Além de ser fundamental nas competições ao mostrar imagens objetivas em lances que podem ser considerados controversos.

Camas de Papelão

As camas de papelão viralizaram na internet, após vídeo na rede pessoal do ponteiro da seleção brasileira de vôlei Douglas Souza, que dançou e sambou em cima da cama para testar o móvel. E, para além do seu senso de humor, acabou chamando atenção também para a resistência do leito.

Além das camas que são feitas de papelão de alta resistência que suportam até 200kg, os colchões utilizados também são recicláveis e feitos de polietileno pela empresa norte-americana Airweave. Ao término dos jogos olímpicos, as camas serão recicladas e os colchões utilizados em novos produtos plásticos. Algo inédito na história das Olimpíadas e Paraolimpíadas, que contam pela primeira vez com leitos e roupas de cama quase inteiramente de materiais renováveis.

Veículo Autônomo

Um veículo autônomo mas com supervisão humana, da montadora japonesa Toyota, está sendo utilizado para percorrer as rotas realizadas dentro dos espaços destinados aos jogos, como os ginásios e também do aeroporto a vila olímpica. O transporte é elétrico, suporta até 20 pessoas, atinge velocidade de 19 km/h e possui sensores que detectam objetos e obstáculos durante o trajeto, além de pessoas.  

Reconhecimento Facial

A tecnologia de reconhecimento facial já é uma realidade na capital japonesa e possui precisão de 99,9 %, dispensando o uso de apresentação de passaporte ou passagem aérea. Podendo ser utilizado mesmo em pandemia, pois é capaz de identificar rostos ainda que de máscaras de proteção contra a covid-19.

Medalhas

Nas Olimpíadas e Paraolimpíadas de Tóquio, 100% das medalhas foram fabricadas com metais reaproveitados de lixo eletrônico. Para uma média de 5.000 medalhas, mais de 6 milhões de telefones celulares usados e aproximadamente 78 toneladas de computadores, tablets, monitores e outros aparelhos antigos e/ou quebrados foram desmontados para reutilizar ouro, prata e bronze de componentes como as placas de circuito.

Internet e Resolução em 8K

O Comitê Olímpico Internacional formou uma parceria com as empresas Cisco, NTT DOCOMO e Intel, para fornecerem a rede de internet 5G das Olimpíadas de 2021. A rede, que é baseada no processador Intel Xeon, permite conexão de 42 locais de jogos mais a Vila dos Atletas.

E, para aqueles que estão no Japão, será possível acompanhar a transmissão das Olimpíadas com resolução de imagem 8k. Isso porque, a emissora pública japonesa NHK, prevê 200 horas de cobertura com esse tipo de nitidez em seu canal BS8K (Broadcast Satellite 8K).

Robôs

Por já fazerem parte da rotina daqueles que vivem na capital japonesa, os robôs não poderiam ficar de fora dos jogos olímpicos. Na Olimpíada, esses têm sido utilizados para guiar visitantes e pessoas envolvidas nas competições, buscar equipamentos lançados pelos competidores e também no entretenimento, como as versões robotizadas dos mascotes que interagem com os atletas. Há em média cerca de 8 a 10 tipos de robôs realizando diferentes tarefas durante o período olímpico.

Dados biométricos

Em qualquer modalidade esportiva, seja essa voltada mais ao físico ou as que requerem mais habilidade, como por exemplo o hóquei na grama, ocorre mudanças biométricas no corpo dos atletas envolvidos. E por isso, o Japão trouxe pela primeira vez para as Olimpíadas de Tóquio, monitoramento dos sinais vitais dos competidores e transmissão ao vivo desses dados nas telas, através de câmeras de alta definição que ficam muito próximas aos esportistas.

Somado a isso, os espectadores possuem acesso aos dados de performance dos atletas em tempo real. Em esportes como o atletismo, é possível conferir a mudança de velocidades entre os que estão competindo, além de visualizar a comparação entre eles através de infográficos dinâmicos. 

Eu não sei vocês, mas depois que conheci mais a fundo um pouco de toda a tecnologia que o Japão investiu nessas Olimpíadas, e por estar acompanhando várias modalidades que gosto como vôlei, atletismo, natação e skate, posso dizer que me encontro nesse momento de um único jeito: trabalhado no mood olímpico!

Para além do show de inovações e beleza, os jogos olímpicos de Tóquio estão sendo marcados pela superação, coragem e garra dos atletas. Aqui, na InfoPreta, as olimpíadas já virou assunto diário entre uma demanda e outra de trabalho. Nos emocionamos com o primeiro ouro olímpico da ginástica artística vindo pelas mãos e saltos de uma ginasta negra, a incrível Rebeca Andrade. Que, sem dúvida alguma, entrou para a história do esporte brasileiro e nos fez comemorar muito nas batidas do funk Baile de Favela, de Mc João. 

Sem contar outros grandes esportistas, como a fadinha do skate, Rayssa Leal. Que nos encantou com o seu jeito confiante e divertido, com suas manobras seguras e habilidosas, mesmo ainda tão jovem. 

E o que dizer da gigante Simone Biles? Não consigo mensurar em palavras o tanto de bravura e coragem que ela precisou ter para desistir de competir por alguns aparelhos em prol da sua saúde mental. Levantando a importante discussão a respeito do tema no universo esportivo e mostrando para muita gente que ainda não sabe, que antes do atleta vem o ser humano. 

Um outro motivo em especial que me tocou profundamente nessa edição, é que pela primeira vez na história dos jogos olímpicos, há atletas trans competindo. Para quem é novo aqui e ainda não me conhece, sou um homem trans. Logo, ver pessoas como eu ocupando esses espaços, é de extrema alegria e representatividade. 

Por tudo isso, as Olimpíadas de 2021 vão ficar para sempre na minha memória e creio que na de muitos de vocês também. Está sendo lindo voltar a usar as cores da nossa bandeira com orgulho e admiração. Em tempos de pandemia, ter um objetivo em comum para vibrar, torcer, rir, chorar de emoção e que nos ensina a perder de cabeça erguida, está trazendo um respiro para todo o mundo, e em especial para o povo brasileiro, que tanto vem precisando de motivos para sorrir e se manter de pé com esperança em dias melhores. Esse é o poder transformador do esporte! 

*Colaboração: Gabriela Bispo, jornalista e planner da InfoPreta

Categories: Dicas

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